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CONTOS DA FLORESTA

A cor do silêncio

Era uma vez, lá na Floresta Colorida, cinco cervas que se encontravam de vez em quando para trocar informações e conversar livremente sobre tudo, — falavam da vida como ela é. Depois de cada encontro, cada uma seguia para sua casa, sua família, e a Floresta parecia mais florida.

O tempo foi passando.

Num dos encontros, as cinco cervas resolveram, silenciosamente, não falar sobre os maridos — já que uma delas não tinha marido.

Em outro encontro, resolveram, silenciosamente, não falar sobre filhos — já que uma delas não tinha filhos

Em outro encontro, resolveram, silenciosamente, não falar sobre netos — já que duas delas não tinham netos.

Em outro encontro, resolveram, silenciosamente, não falar sobre trabalho — já que haviam saído para se divertir. E tentaram rir, mas o riso veio mais baixo.

Enfim, no último encontro, decidiram não falar de política para evitar conflito de ideias. E naquele dia, no caminho para casa, a Floresta pareceu menos colorida. Uma sombra cinzenta cobriu o chão da mata. Nenhuma delas comentou, mas todas sentiram.


Assim como as cervas anseiam por água, a minha alma anseia por Ti, ó Deus.

— Salmo 42:1

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