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CONTOS DA FLORESTA

O Jumento Zé e o Leão Cássio

Provérbios 26:4: “Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia, para que também não te faças semelhante a ele.”

Sinopse da História

Na vibrante Floresta Colorida, o barulhento e arrogante Jumento Zé cruza o caminho do sábio Leão Cássio. Ao invés de reagir à insolência do Jumento, o Leão demonstra grande Discernimento, afastando-se calmamente. A professora Raposa Flora explica aos animais que o discernimento é a sabedoria de saber quando agir e quando se afastar de algo inútil.

Flora contrapõe o discernimento com a arrogância ensinando a todos o valor da paz, da inteligência e do respeito mútuo.

Na Floresta Colorida, vivem muitos animais especiais. A Coruja Olívia sempre sabe ouvir, a Sabiá Clarissa que enche o ar com sua voz melodiosa, o Macaco Bartolomeu que anima a todos com suas piadas, a Tartaruga Benedita que conta histórias antigas, o Coelho Lebret que escreve para as redes sociais, as Formigas Migas que trabalham unidas, e a Raposa Flora, a professora mais perspicaz, que vê o potencial de cada um.

Um dia, o Jumento Zé, entrou na Floresta de forma muito barulhenta, falando sem pensar, achando que sabia mais do que todo mundo:

— Saiam da frente! O grande Jumento Zé está passando! — gritava ele, assustando um grupo de borboletas cintilantes e quase atropelando as Formigas Migas que carregavam folhas para o formigueiro.

Todos se desviaram em silêncio, deixando o Jumento Zé passar.

— Ih, parece que alguém acordou com o casco esquerdo! — falou o Macaco Bartolomeu, balançando em um galho, mas o Jumento Zé nem ouviu.

Zé seguia seu caminho todo esnobe e de repente, se viu diante do Leão Cássio. Cássio era o rei da floresta, por sua força e também, por sua grande sabedoria e serenidade. Ele observava o rio, quando o Jumento Zé, sem hesitação, abriu a boca e grasnou com sua voz estridente:

— Ora, ora, se não é o Rei Cássio! Saia do meu caminho! Eu estou com pressa e não tenho tempo para realeza preguiçosa!

O Leão deteve-se por um instante. Seus olhos dourados encontraram os do Jumento Zé. Os outros animais assistiam de longe – a Coruja Olívia no alto de uma árvore, o Coelho Lebret com sua caderneta na mão, e a Raposa Flora com um olhar atento – prenderam a respiração. Eles sabiam que o Leão Cássio poderia facilmente dar uma lição no Jumento.

Mas, para a surpresa de todos, o Leão Cássio apenas suspirou suavemente virou as costas para o Jumento Zé e prosseguiu seu caminho, sem dizer uma palavra.

O Jumento Zé ficou lá, parado, com uma expressão confusa:

— Ele não vai fazer nada?

Depois que o Leão Cássio se afastou, a Raposa Flora, aproximou-se do Jumento Zé e dos outros animais. — Viram o que aconteceu? — perguntou ela, com um sorriso gentil. — O Leão Cássio nos deu uma grande lição sobre Discernimento.

O Coelho Lebret já estava anotando tudo.

— O que é discernimento, professora? — perguntou ele.

— Discernimento — explicou a Raposa  — é a capacidade de saber o que é certo, de fazer boas escolhas e, principalmente, de entender a hora de agir ou de não agir. É ter sabedoria para distinguir o que realmente importa e o que é pura bobagem. O Leão Cássio poderia ter usado sua força para punir o Jumento Zé, mas ele percebeu que não valia a pena. Ele escolheu não entrar em uma discussão inútil. O Leão Cássio demonstrou que é mais sábio se afastar de uma provocação sem sentido do que entrar nela.

— E qual seria o contrário de discernimento, professora? — perguntou a Coruja Olívia, com seus grandes olhos curiosos.

— O contrário é a Arrogância — respondeu a professora, olhando para o Jumento Zé. — Arrogância é quando alguém se acha superior aos outros, fala sem pensar, provoca sem motivo e acredita que sempre tem razão.

O Jumento Zé ouviu tudo em silêncio. Pela primeira vez, ele não tinha uma resposta pronta. Ele começou a entender que a verdadeira força não estava em gritar mais alto, mas em saber quando ficar em silêncio e quando agir com sabedoria.

Naquele dia, a Floresta Colorida aprendeu que o discernimento é um tesouro que nos ajuda a viver em harmonia, e que a sabedoria de se afastar de provocações vazias é um sinal de verdadeira grandeza.

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O Leão que Aprendeu a Ouvir

Virtude – respeito

Sinopse – Quando o Leão Cássio aprendeu a ouvir, a Floresta Colorida floresceu de respeito e compreensão.  Vamos espalhar essa virtude incrível!

Na Floresta Colorida, o Leão Cássio acreditava que era sempre o dono da razão. Todos os animais se sentiam frustrados, mas ninguém tinha coragem de falar, exceto a Professora Flora e seus atentos alunos.

Durante uma aula, a ouriceira Íris levantou a pata:

— Professora, como podemos fazer o Cássio nos ouvir?

Flora sorriu:

— Vamos mostrar que ouvir é uma virtude poderosa.

Nico, animado, sugeriu:

— E se fizermos uma apresentação, cada um contando o que pensa?

Bia preparou um projeto, e Lila decorou o espaço com flores e cores. Durante o evento, cada aluno compartilhou suas ideias.

Cássio, curioso, foi assistir. Ao ouvir as experiências de todos, percebeu que cada voz tinha valor. Ele se levantou e, pela primeira vez, pediu desculpas.

— Vocês me ensinaram a importância do respeito e que todos têm algo valioso a dizer.

Desde então, a Floresta se tornou um lugar onde o respeito era a regra principal, e todos podiam falar e ser ouvidos.

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CONTOS DA FLORESTA

A Senhora Tamanduá

Virtude: Paciência

Oposto na Corte: Impaciência, desprezo pelos pequenos

Versículo: “O homem paciente dá prova de grande entendimento, mas o impaciente revela insensatez” Provérbios 14:29.

História

Dona Lislene, a tamanduá de focinho comprido e patas macias, morava perto do lago. Certa manhã, viu que a água estava ficando barrenta: alguém da corte despejou restos do banquete ali.

Preocupada, Dona Lislene foi até o tribunal do Jabuti, onde os problemas deviam ser resolvidos.

A fila era longa e os juízes só chamavam os amigos do rei ou os animais grandes e barulhentos. Dona Lislene esperou, sentada, enquanto a corte ria dela:

— Tamanduá velha, para que tanto esperar? Ninguém liga para bicho pequeno!

Dona Lislene olhou ao redor e viu outros bichos esperando também: sapos, borboletas, formigas, tartarugas.

Com muita paciência, Dona Lislene conversou e fez amigos na espera. Cada um contou seu problema. Juntos, perceberam que muitos dos sofrimentos tinham o mesmo motivo: o descaso da corte com os pequenos.

Quando finalmente a porta do tribunal se abriu, Dona Lislene não entrou sozinha:

— Vimos juntos que a água faz falta para todos! Não é vergonha esperar a vez — é coragem para não desistir até serem ouvidos.

Os juízes não puderam ignorar aquele grupo firme e calmo. Naquele dia, começaram a ouvir os animais pequenos, pois juntos eram fortes.

Frase para discussão:

“Esperar e ajudar quem também espera faz a amizade crescer e o problema diminuir.”

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CONTOS ALETÓRIOS

Insanidade

Ao entrar no consultório a média percebe algo de estranho. João de Deus está lá sentado à sua espera. Como conseguiu entrar sem ser visto, não faz a menor ideia. Ele sorri, estende-lhe a mão direita. Seus olhares se cruzam no momento do cumprimento e ela abaixa os seus. Não consegue identificar que espécie de olhares são. Ele não deveria estar aqui, pensa quase em voz alta. Este não é o dia de sua consulta. Um frio lhe percorre a espinha de alto a baixo e seu corpo estremece de forma tal, que só de pensar na possibilidade de seu incômodo ter sido percebido por ele lhe faz enrubescer. Como médica já lidou com pacientes de todos os tipos. Afinal, escolheu esta profissão e gosta de ajudar as pessoas não importando qual o seu estado.

Tentando parecer calma, a médica vai até à pia e lava vigorosamente as mãos, demorando bem mais tempo do que o necessário, enquanto pensa numa forma de resolver a situação. Sabe que o paciente do horário, em breve reclamará pelo atendimento. Vai até o cabide pega o jaleco, vestindo-o sobre as roupas. João de Deus fecha os olhos e esfrega as mãos.

Terminado o processo preliminar a médica senta-se do outro lado da mesa e pergunta tentando parecer natural:

– E então, sr. João hoje não é seu dia de consulta. O que o traz aqui?

João de Deus que até então estivera se contendo o nervosismo, sorri pelo canto da boca e inicia uma conversa entrecortada de pequenas contorções da cabeça para o lado esquerdo apresentando, ao mesmo tempo, certa irritabilidade na voz.

– Para seu governo eu venho aqui o dia que quiser. Não preciso de hora marcada. E também eu tenho que lhe contar um segredo e não podia esperar.

Percebendo seu estado de espírito a doutora tem o ímpeto de pegar o fone, mas não o faz antes de avisá-lo que comunicará à secretária que atrasará um pouco para atender ao primeiro paciente da tarde. Após o que, voltando-se a ele interroga:

– Então sr. João o que o aflige?

– Em primeiro lugar, eu sou o seu paciente número um de hoje.

Meneando a cabeça afirmativamente ela o incentiva a continuar. E João de Deus abre o coração à sua terapeuta, enquanto ela a escuta com a sabedoria dos que escolhem amar as pessoas incondicionalmente, escolhendo as mais difíceis atividades das ciências humanas.

Nos sessenta minutos seguintes a doutora ouve uma história extraordinária, daquelas que só mentes dotadas de transtornos perversos podem arquitetar. João de Deus lhe confidencia o trajeto peculiar de sua vida. Fala de suas mais tristes lembranças infantis, quando sua mãe depois de o surrar demoradamente deu cabo da vida, ficando ele aos cuidados de uma tia chamada Mirte. Com Tia Mirte ele conheceu o lado bom da vida. Esta desde o dia que o tomou por responsabilidade nunca o maltratou nem sequer com uma palavra mais dura. Dava-lhe todo carinho que alguém pode dar a outrem, chegando a ultrapassar os limites do incesto que durou cerca de doze anos. Aos quinze anos, no auge de sua paixão pela tia, João Deus sofre mais um golpe na vida quando, dizendo estar grávida se despede e some.

Perambulando pelos guetos do sofrimento João de Deus, depois de algum tempo se une a uma mulher que tem uma filha chamada Clarice. Mas Clarice não o chama de pai e ele não gosta. Ela nunca quis chama-lo de pai.

Nesse momento a doutora faz uma intervenção, tentando entrar na mente João e entender o que se passa:

– O senhor consegue verbalizar o por quê de querer tanto que Clarice o chame de pai?

– É para o bem dela

– Como assim?

– Doutora, o pai ama de jeito diferente. Se não sou o pai amo de outro jeito.

A doutora ajeita o corpo na cadeira, denunciando desconforto

– A senhora está certa doutora! É isso mesmo!

– Sr. João eu não disse nada!

– Mas pensou em dizer. Eu abusei de Clarice. É eu abusei. E ainda tem mais doutora eu amo a mulher do 101, não consigo viver sem ela. Eu a estuprei, ela me matou. Ela me matou! Pode isso doutora, ela me matar?

João de Deus contorce a cabeça para o lado esquerdo mais fortemente e cai num choro descontrolado. A doutora atordoada pega o fone e avisa a secretária, para que discretamente, diga aos que estão na sala de espera que ela está passando mal e que não tem nenhuma condição de atendê-los.

Com a delicadeza dos que lidam com os distúrbios e fraquezas humanas a secretária avisa aos pacientes que saem pela porta da frente. Um deles como uma estátua continua sentado à espera de ser atendido. A secretária faz uma última tentativa para que esse retire.

Minutos depois, a doutora ouve o tumulto iniciado pelo paciente, envolvendo a secretária. De sua sala ouve os gritos e choro, primeiro na sala de espera, depois no corredor e enfim na porta do seu consultório. Ao mesmo tempo que grita com a secretária e com o segurança o paciente ri um riso ensimesmado.

João de Deus atordoado no meio da confusão, com os mesmos olhares do início despede-se da doutora, fazendo-lhe muitos agradecimentos. Sorri estendendo-lhe a mão:

– Vou à polícia agora mesmo.

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CONTOS DA FLORESTA

A Coruja que Desafiou o Silêncio

VIRTUDE – CORAGEM

Sinopse“A Coruja que Desafiou o Silêncio” é uma história essencial para leitores que buscam entender o valor da sua voz e a importância de lutar por aquilo em que acreditam.

Descubra como a sabedoria da Coruja Olívia, o ensinamento da Professora Flora e a bravura da castor Bia, da ouriceira Íris, e da borboleta Lila inspiram a todos a encontrar a força na união.

Mergulhe em uma aventura na Floresta Colorida, onde a coragem e a liberdade de expressão são postas à prova.

História – Na Floresta Colorida, onde rios brilham em tons de esmeralda e árvores exibem folhas de todas as cores, o Leão Cássio havia decretado:

– Ninguém mais pode discordar de mim! A minha palavra é a lei.

A Coruja Olívia,  conselheira da floresta, se via silenciada. Na escola, a Professora Raposa Flora tentava manter a esperança, explicando a situação da melhor forma:

— Crianças, o Leão Cássio proibiu canções que não sejam as que ele escolhe.

O esquilo Nico sempre curioso, perguntou:

— Mas, professora, por que não podemos cantar o que quisermos?

Flora suspirou:

— Porque o Leão Cássio tem medo que músicas diferentes o façam perder o poder.

Naquele momento, a coruja Olívia entrou na sala, seus olhos brilhando.

— Crianças, precisamos ter coragem. A verdade não pode ser silenciada.

Cássio, ao ouvir, rugiu:

— Olívia, você está desafiando minha autoridade!

Olívia, com calma, respondeu:

— Cássio, a coragem não é ausência de medo, mas a decisão de que algo é mais importante que o medo. E a liberdade de expressão é essencial.

A ouriceira Íris , normalmente quieta sussurrou:

— Mas como podemos ser corajosos sem nos machucar?

A borboleta Lila, com suas asas coloridas, respondeu:

— Cantando! Cantando nossas próprias músicas, contando nossas histórias, expressando nossas ideias.

A castor Bia sempre prática, acrescentou:

— Podemos nos unir e mostrar ao Leão Cássio que somos mais fortes juntos.

E assim, um a um, os animais da floresta começaram a cantar, a falar, a expressar suas opiniões. O Leão Cássio, vendo a união e a coragem de todos, percebeu que a verdadeira força não está no silêncio imposto, mas na voz de cada um.

No final, a floresta voltou a ser um lugar de cores, sons e ideias vibrantes, onde cada animal podia expressar o que pensava e sentia.

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