Só em Minas Gerais os ciganos estão presentes em 849 municípios
A primeira vez que vi um grupo de ciganos eu era criança e morava em uma fazenda no interior de Minas. O grupo não era grande e eles, depois de obterem permissão do meu pai, armaram somente uma barraca à beira do rio, perto do porto onde os animais atravessavam.
À noite fomos visita-los. Meu pai e irmãos ficaram conversando com os homens e vendo seus belos animais e minha mãe e irmãs mais velhas, ficamos sentadas na grama à porta da barraca. Não faço a mínima ideia do que conversaram, só sei que fiquei fascinada com as roupas coloridas, os lenços, os anéis, pulseiras e braceletes que as mulheres usavam. Parecia que estavam prontas para uma grande festa.
Muitos fazendeiros não deixavam os ciganos acamparem em suas terras, diziam que ficavam mais tempo que o combinado e ainda roubavam os melhores cavalos quando iam embora, geralmente na madrugada. Meu pai tinha uma visão diferente deixou os ciganos acamparem. fico imaginando se foi por consideração, pois me lembro que ele disse: “se a gente não deixa eles acampar aí é que eles roubam quando vão embora”.
De qualquer forma o preconceito e discriminação com os povos ciganos é um estereótipo trazido consigo desde quando aqui chegaram com os navegantes portugueses.
Informações importantes sobre os ciganos
Em viagens para pesquisa, via internet, é claro, tive muitos encontros com autores de sites e blogs que falam sobre os ciganos mais como se fosse um “grupo religioso” do que como povo ou etnia.
Ainda bem que encontrei alguém que escreve matérias confiáveis em seu site Romani Dromá – Caminhos Ciganos, o rhom ou cigano Mikka Capella. De acordo com suas palavras a maioria das matérias encontradas na internet são conjecturas místicas e fantasiosas sobre os ciganos. E que as informações úteis estão dispersas, fragmentadas, mal escritas e em outras línguas, o que dificulta muito a pesquisa sobre o povo rhomá.
Ainda bem que MIkka, apesar de todas as dificuldades reveladas em suas páginas, está mantendo seu projeto de esclarecer os equívocos sobre seu povo, seguindo seu lema de vida: “combate-se as trevas com a luz, a ignorância com conhecimento, a mentira com verdade”
As várias etnias – Ashkali, Yenish, Rhomá.
Mikka Capella relata em seu site os equívocos sobre os ciganos presentes em livros de pesquisadores sérios, como por exemplo fazendo referência aos Ashkali e aos Yenish, como sendo grupo Rhomá. Na verdade trata-se de três etnias diferentes. Segundo ele:
- Os Rhomá vieram da India e falam o romani;
- Os Ashkali originaram-se nos Balcãs e falam albanês;
- Os Yenish tem origem ainda incerta e falam o idioma yenish.
Para Capella o conhecimento pouco acadêmico sobre os ciganos é resultado do seu próprio comportamento de nomadismo e isolamento. Com o passar do tempo e sendo um povo que está sempre em movimento e em contato com outros povos, por mais fechados que possam ser, passaram por transformações. Os próprios Rhomá que constituem-se numa só etnia, com a mesma língua e origem indiana estão divididos em três outros grupos diferentes entre si, que podem ser considerados três etnias distintas:
- Rom;
- Sinti;
- Calon.

E o mais interessante é que cada um desses grupos se divide em em outros subgrupos, que se organizam de de formas diferentes.
Os CALON em Minas Gerais
Segundo a pesquisadora da UFMG Juliana Campos os Calon foram os primeiros ciganos a chegarem ao Brasil quando ainda era colônia. Completando sua informação Mikka Capella acrescenta que em 1574 , cumprindo pena por tráfico ilegal o Calon João Torres, sua esposa Angelina e os filhos foram exilados para a Terra de Santa Cruz – o que viria a ser Brasil. Oficialmente foram os primeiros Rhomá em terras brasileiras. Mais tarde outros vieram e hoje temos uma população grande de brasileiros de origem cigana com maioria Calon ocupando o território de Minas Gerais.
O grupo Calon é uma subdivisão do grupo Rhomá. São originados da Índia e falam o romani, E aqui se tornaram muitos com suas festas, suas roupas coloridas, seus dialetos, ocupando, 849 municípios do estado. Segundo o site da UFMG o povo cigano mais numeroso no Brasil é o povo CALON e em Minas “quando alguém ouve a palavra CALON já sabe que é um cigano mineiro”, disse um deles em entrevista.
Bandeira Rhomá

A bandeira foi adotava em 1971, como símbolo da etnia Rhomá, grupo de onde vem o subgrupo Calon que é maioria em Minas Gerais.
Como outros elementos da cultura cigana, a bandeira cigana está envolta em misticismo, muitas vezes como exploração do imaginário por pessoas ciganas e não ciganas que se apropriam dela e criam um simbolismo como propagação de ideias exoteristas.
Segundo Mikka Capella as cores e forma da bandeira da etinia Rhomá de onde vieram os Calon têm a seguinte representação:
cores:
Azul – representa o céu
Verde – representa a terra
vermelha – representa vida
forma:
Roda – faz referência à roda que figura na bandeira da Índia, país de onde se originam e simboliza o movimento da vida. Seu formato lembra a roda de uma carroça, fazendo uma alusão ao nomadismo rhomá.
Aros – Os aros que se encontram dentro da roda vermelha segue à homenagem à bandeira indiana que tem de 24 aros.
Preconceitos sofridos pelos ciganos
De acordo com as palavras da cigana Sueli em entrevista à pesquisadora da UFMG Juliana Campos os ciganos são discriminados em algumas áreas:
- pouca instrução;
- moradia em barracas de lona;
- roupas coloridas;
- e as vezes são chamados de malandros e ladrões, até de ladrões de criancinhas.
Os ciganos precisam de políticas públicas
Os ciganos bem como os que pertencem a outras Comunidades Tradicionais, como os quilombolas, os indígenas e outros tantos sofrem com a falta de políticas públicas como:
- educação, pois 90% da população CALON é analfabeta;
- emprego;
- saúde;
- políticas específicas para as mulheres ciganas, principalmente para protegê-las das situações de violência;
- habitação;
- saneamento básico;
- energia elétrica;
Dia Nacional do cigano – 24 de maio – Dia do brasileiro de origem cigana
Segundo a pesquisadora Juliana Campos os ciganos fazem parte dos grupos étnicos que compõem a população brasileira, pois compartilham uma origem comum.
Mande o CATÃO ANIMADO abaixo aos familiares das crianças pelo grupo do WhatsApp. Ele tem várias informações sobre os CIGANOS
Link: https://youtu.be/DWLwaHVQDKA
https://www.youtube.com/embed/DWLwaHVQDKA
Comunidades Tradicionais
De forma resumida as Comunidades Tradicionais são formadas por grupos que têm histórias comuns, objetivos comuns, e práticas comuns. Essa forma simples de definição engloba conceitos mais elaborados que incluem cultura e organização social. Outra característica importante é que as Comunidades Tradicionais se reconhecem como tais e se orgulham por isso.
Mais informações nos links abaixo:
- Dia Nacional do Cigano – Pesquisadora da UFMG e casal falam falam sobre os povos no Brasil vídeo MGTV: https://www.youtube.com/watch?v=MxbNEihBwDU
- Comunidade mostra cultura cigana em Belo Horizonte: https://globoplay.globo.com/v/3007378/
- Especial ciganos em Belo Horizonte – origem e costumes – Jornal Minas: https://www.youtube.com/watch?v=r5X8qlxNJg0
Referências